Café das letras

As bombas que são jogadas dos aviões do alto do céu, não são as de chocolate, o espetáculo pirotécnico visto do alto, estão longe de ser os de fogos de artifício. Aqueles membros desconjuntados e separados do seu corpo, jogados ao sujo chão, não são de uma boneca de trapo, mas de uma menina de verdade, eis aí então, o reflexo da nossa falta de razão humana.
Os gritos que ouvimos lá fora, não são gritos cênicos de artistas de teatro, fingindo mais uma peça de dramatização, são personagens de verdade, da dura realidade, do pesadelo do conflito armado, destruindo os sonhos nobres de toda uma nação.
Agora eu sei, Jesus Cristo e o seu sermão da montanha foram esquecidos de vez, ele choraria se visse tanto descaso com a sociedade humana, que consigo mesmo é tão desumana!
Eu também percebi que os homens agem, como se Gandhi nunca tivesse existido, ele que foi um homem á inventar uma revolução sem derramamento de sangue.
Igualmente vejo, a cara de Buda sendo esbofeteada em praça publica, pelos apologistas da violência e da guerra armada.
É com lágrimas em meus olhos, que contemplo poetas da literatura viva, sendo fuzilados no paredão da ditadura militar, usando assim, seu ódio intolerante.
A guerra é um monstro insano que deseja devorar tanto seus idealizadores como a gente do povo, quem a inventa e propaga, coitado,não sabe,será por esse mesmo monstro que criou, totalmente devorado.
Eu vou pegar a bandeira da cor branca da concórdia, e hasteá-la no alto do monte Sinai, para ela brilhar com a mesma força da sagrada sarça ardente, talvez quem sabe, os ouvidos moucos dos homens, possam ouvir a voz de Deus, pedindo para deixarem de serem loucos, e parando com sua insanidade,possam ouvir de novo, o clamor sensato, da canção da paz.
E ela em seu refrão diz assim:- Guerra de novo nunca mais, guerra de novo nem daqui á cem anos, que o espírito funesto dela, seja morto e enterrado por aqueles, que amam o espírito do pacifismo humano.

ELTON DAS NEVES O ANJO DAS LETRAS.

“Quando a bomba veio vi um clarão amarelo e fiquei rodeada pela escuridão. Um edifício de madeira com dois andares que era a minha casa com oito quartos ficou feito em pedaços e cobriu-me.
Quando vim a mim estava tudo negro como breu à minha volta. Tentei levantar-me mas tinha uma perna partida. Tentei falar mas vi que tinha partido seis dentes. Quando reparei que tinha a cara e as costas queimadas, que tinha um corte que ia do ombro até à cintura, rastejei até à margem do rio e quando lá cheguei vi centenas de corpos a boiar. Foi aí que percebi, chocada, que tinham atingido toda a cidade de Hiroshima.
Encontrei uma fila infindável de refugiados todos sem qualquer peça de roupa no corpo e a pele da cara, dos braços e do peito fora arrancada e estava pendurada e, contudo, eles não tinham qualquer expressão. Fugiam em silêncio profundo. Achei que era uma procissão de fantasmas”.
(Relato de Uma sobrevivente da bomba nuclear de Hiroshima).

“Lembro-me de uma frase das escrituras hindus, o Bhagavad Gita. Vishnu está a tentar persuadir o príncipe a fazer o seu dever e para o impressionar assume a sua forma com vários braços e diz: “agora sou a morte, a destruidora dos mundos.”
(Robert Oppenheimer).

“O homem tem que estabelecer um final para a guerra, senão, a guerra estabelecerá um final para a humanidade." (John F. Kennedy).

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